terça-feira, 20 de outubro de 2009

Palavras Passadas (sem título)

Só um corte... Só uma gota...! Só!
Não sei a quem imploro
Se é a mim mesma ou a quem eu prometi resistência.

Só um corte, uma gota...
Eu preciso,
mas não.
Não o farei.

Os episódios se repetem
E o silêncio e dos cantos querem meu tormento.
Mas não. Não o farei.

A cabeça pede remédio. (Essa infeliz dor atrás do olho!)
O coração, descanso.
O corpo, uma pausa.
E os olhos querem o vermelho...
Mas não. Não o farei.

Só um corte, só uma gota.
Mas... Nada.
E só o que escorrem são elas.
Lágrimas e palavras, sempre juntas.

Sem corte, sem cor.
Prometo sofrer sem nenhúm arranhão.
Não. Eu não o farei.
E sozinha, mais uma vez,
Sem mais nem menos, tentar dormir.

(por angelique 26/05/07)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Eu era um vulcão. Apenas um vulcão.
As palavras cozinhavam lá dentro.
[Só agora me dei conta do que falava, do que escrevia, do que pensava...]
Gemidos, balançar de cortinas, arrepios no pensamento. O suficiente pra saber do perigo.
Como um buraco escuro e quente.

Mas o amor é a luz permanente. Nem vela, nem lamparina.
Ele é o vento avassalador que limpa toda a curva, todo cômodo incômodo, todo canto impregnado, cada buraco escondido...
Quando notamos, já é tarde demais. Ele habita todo nosso ser.
É incrível e ágil.
Arrependemos de todos os pecados, e até o orgasmo passa a ser santificado...

E se observarmos bem, as montanhas já não estão mais nos mesmos lugares.

Eu era um vulcão.
Agora sou um vulcão em erupção.

Palavras adversárias.



"Jogue o que você tem... Um Ás de Espadas ficaria melhor com asas..."
Admirar tempestades é um sinal de vitórias, mas melhor ainda é poder andar na chuva...
Seria ótimo se déssemos as mãos, tampássemos a garrafa e chegássemos até aquele bosque. Lá estenderiamos o pano xadrez e nos restaria apenas viver. De dia um arco-íris e de noite aquela estrela brilhante ao lado da Lua clara que nos chamava...
Em um jogo nada deveria ficar de fora, mas há sempre um blefe.
Amigos? Em um jogo? (Não poderiamos nos fazer esta proposta indecente... Mas eu fiz.)
Todas as vezes que nos encontrássemos, veríamos uma sexta-feira, sentiríamos cheiro de vinho e grama molhada, estaríamos anciosamente calmos para dar a próxima cartada e saber qual a velocidade em que o trem correria nos trilhos. Então tudo se tornara involuntário.

"Sonhe um pouco, talvez você acorde."
Palavras em uma mesa de cartas são significantes e construtivas, enigmas são excitantes e marcar pontos é prazeroso...

O que mais lhe importa pode ser a vitória...
Mas vá sonhar um pouco... Talvez você acorde.



É... Vá sonhar um pouco. Talvez você acorde...